Chegou a Nossa Vez!
Mesmo assim, este trabalhador considerado inútil não teve sequer um reconhecimento remunerado para o começo de sua independência, não lhes foi dado nada. Justamente para que continuassem assim, homens dependentes, de baixo estima e sem coragem para lutar.
Agora, estamos no melhor momento de nossa história de periferia, favela ou comunidade (seja com qual nome você se identifique), momento de uma participação política no meio em que vivemos, como as associações de moradores, e no país como eleitores, com a coragem de exercer seu poder através do voto e dizer “chega de nos controlar e dizer o que devemos fazer, sem nos ouvir!!!”
Não vamos deixar a peteca cair. Vamos continuar firmes e atentos, exigindo nossos direitos, fazendo a nossa história.Vamos lá! Se liga! Cada um precisa fazer a sua parte. Somos a maioria e merecemos vida digna, saúde, educação e trabalho bem remunerado.
Os Redatores.
Artigo
DOENÇA NÃO!
IDENTIDADE SEXUAL SIM!
por: Alan silva
No início a homossexualidade era conhecida como homossexualismo por muitos psiquiatras e psicólogos. Eles o consideravam assim por achar que a homossexualidade era uma doença. Mas, desde 1973 a American Psychological Association e a American Psychiatric Association, deixaram de considerar o homossexualismo uma doença e passaram a chamar de homossexualidade por ser identidade sexual.
Os homossexuais nunca foram doentes. É um absurdo expor datas e dizer que agora são normais. Sempre foi identidade sexual, os psicólogos é que não perceberam. Eles não escolhem: desejam, identificam-se, muitos têm trejeitos, outros não.
A sociedade é que ainda não sabe respeitar a maneira de ser de cada pessoa, e, por isso existe tanto preconceito e discriminação. Pouco a pouco eles vêm vencendo e conquistando seu espaço na sociedade, tendo o mesmo direito que qualquer pessoa tem.
Muitos sofrem por não conseguirem aceitar-se, pois vivemos numa sociedade homofóbica, que não os tratam como naturais, só por amarem diferente.
Olha, homofobia é crime, assim como você não pode agredir alguém com palavras ou atos preconceituosos, é também com os homossexuais, qualquer atitude preconceituosa pode ser levada aos tribunais. Por isso respeite cada pessoa sabendo entender seus desejos e formas de viver.
opinião
VDQ: Para você o que é homossexualidade?
Albertina: É uma forma de identificação.Gosto muito do jeito que sou, apesar de no início a aceitação ter sido difícil.
Gabriel: Pra mim é uma coisa normal uma pessoa gostar de outra do mesmo sexo.
Normando: Na minha opinião é uma opção. Antes era conhecido como homossexualismo por ser caracterizado como doença, hoje em dia é uma opção. Você gostar de uma pessoa do mesmo sexo, ser feliz, se aceitando, sem enganar a si e a sociedade.50 anos da comunidade...
Histórico dos Presidentes
por: Ranierry Melo
Quando o Padre Monsenhor Antônio Souto chegou ao nosso conjunto, nos anos 80, viu a necessidade criar uma Associação de moradores, para uma melhor administração da antiga favela.
Na primeira eleição, em 1983, três chapas concorreram, saindo vencedor o Sr. João Roberto, que ficou no poder por quatro anos.
Desde seu início, as eleições não são obrigatórias, mas é muito importante escolher um bom representante. O maior fórum eleitoral ocorreu em 2000, quando 938 pessoas foram às urnas e escolheram Lúcia Maria da Silva como líder comunitária até o ano de 2001, com 701 votos. Lúcia Maria da Silva, porém, renunciou alguns meses depois do início do seu mandato.
Em 2003, na administração do presidente eleito Antônio Cordeiro Vianna, mais conhecido como Piçarra, decidiu esticar seu mandato para dois anos. A partir de então, as eleições que antes aconteciam todos os anos, passaram a ocorrer a cada dois anos, sendo o atual presidente Normando Rodrigues de Souza, eleito em 2005 com 358 votos.
Agora que você conheceu o histórico dos líderes do nosso conjunto, não esqueça de, nas próximas eleições, ter consciência e pensar no que é melhor para o lugar onde você mora, lembrando sempre de colaborar com os nossos representantes.
por: Liduina Oliveira
Perfil do 1º presidente oficial da associação de moradores da QuadraJoão Roberto de Carvalho é o seu nome. Nascido em Aracati, veio para Fortaleza aos 16 anos com familiares. Na família de 8 filhos, era o terceiro. Ao chegar aqui, completou o ginásio, que corresponde ao Ensino Fundamental II.
Sua primeira profissão foi como ferreiro, ele trabalhou em construção civil por muito tempo. Trabalhou também na cantina da Base, na Fábrica de refrigerantes Guaraná Wilson, foi representante de vassoura e trabalha atualmente como vigia pelo Estado, na Ação Social, sede da comunidade. Seu João foi sempre uma pessoa esclarecida dos direitos do povo e de luta, sempre sabendo o valor do trabalho.
Segundo Sr. João Roberto, antes de haver a Associação dos Moradores, houve o Conselho Comunitário da Quadra Santa Cecília, formado pelo Sr. Raimundo Nonato, como presidente, João Roberto, como secretário, e Sr. Davi, como tesoureiro.
Segundo Sr. João Roberto, a idéia da associação de moradores veio através da PROAFA, órgão responsável pela construção das casas, por causa da prestação de contas que precisava ser feita.
Com a visita de D. Luiza Távora, foi feito o cadastro e assim formada a 1ª chapa e a 1ª diretoria tinha:

Presidente: João Roberto
Vice-presidente: Sr. Aguiar Viana
1º secretário: Cleide
2º secretário: José Carneiro
1º tesoureiro: Sr. Davi
2º tesoureiro: Francisco das Chagas
Conselho fiscal:
José Milhanos, Luciana, Francisco das Chagas Moreira Barros
Nesta diretoria, segundo Sr. João Roberto, assumiu por 4 anos consecutivos e sempre com a mesma preocupação de organizar e ensinar o povo a preservar a história da comunidade. Sr. João fala que por muito tempo ficou o pequeno grupo se revezando nos cargos.
Sr. João Roberto afirma que na época foi muito forte a participação e a pressão política por parte dos partidos, porque haviam brigas entre eles aqui dentro. As reuniões eram gravadas.
Ele afirma que na comunidade as pessoas de início não acreditavam e alguns não queriam aceitar as mudanças de favela para a construção do Conjunto Habitacional. “Foi grande a luta, por que eles achavam que eu ia enganá-los, depois foi a outra luta a respeito das pessoas de fora com as famílias daqui”.
Houve uma mudança de 80%, diz Sr. João Roberto, apesar de não ter havido uma maior conscientização por parte das assistentes sociais, que na época só se preocupavam em entregar as casas. Elas não queriam saber como aquelas pessoas iriam agir a partir dali. Pessoas que não sabiam nem com era usar o vaso sanitário, mas a associação assumiu este serviço.
Segundo Sr. João Roberto, a igreja teve uma grande participação na pessoa de Monsenhor Antônio Souto nos grupos de reflexão, onde fortaleceu o povo e houve o crescimento espiritual, fortalecendo as lutas.
Sr. João fala que hoje teria que haver uma maior conscientização espiritual para que as pessoas estivessem dispostas a abrir as suas mentes ao aprendizado e tolerantes para aceitar as diferenças entre si.
Para Sr. João Roberto, o líder comunitário tem que ter como objetivo preservar o bem estar e a segurança da comunidade. E quanto a ser líder novamente, ele não tem este pensamento, pois já está em outra luta.
Pá pum...
· Já houve nove eleições na comunidade.
· 21 chapas tentaram a presidência.
· Três chapas renunciaram a posse.
· A comunidade já teve oito presidentes, sendo Normando Rodrigues o que foi líder por mais vezes (cinco vezes).
Aclamação?!
A aclamação ocorre quando um grupo de pessoas escolhidas por uma comissão, assume a presidência sem o voto dos comunitários. No nosso conjunto houve sete aclamações.
Quem vota nas eleições da associação?
Qualquer pessoa que more no conjunto e que já tenha tirado título de eleitor pode e deve votar. Só lembrando, as eleições não são obrigatórias.
Ari e Chê
por: Alexandrina Fernandes
O jornal Voz da Quadra vai mostrar um pouco da vida de dois cantores e compositores de rap, recentemente indicados ao prêmio S.U.P, e moradores da nossa comunidade, são eles: Chê e Ari, O Volante da Atitude. Através da nossa entrevista, poderemos conhecer seus planos, suas músicas e as expectativas para a comunidade.VdQ – O que o Hip Hop é para vocês?
V.A. – É uma arma, que tem o poder da opinião e da transformação.
VdQ – Quantas músicas vocês têm?
V.A. – Temos três feitas: O dia que amanhece, Mandando um alô pra cada quebrada e V.A. no combate.
VdQ – O que você acha da comunidade de hoje?
V.A. – Tá melhor, tem mais projetos ajudando a comunidade e todos têm acesso a computação.
VdQ – O que vocês esperam do Hip Hop?
V.A. – Esperamos gravar vários CDs. E futuramente passar para os outros os nossos conhecimentos, pra conscientizar a galera sobre música.
Notas
por: Ranniery Melo e Meire Araújo
Primeira Eucaristia
No dia 26 de novembro, às 8h, aconteceu a Primeira Eucaristia das crianças da catequese da Paróquia de São Vicente de Paulo. Cerca de 150 crianças, sendo 62 do nosso conjunto, receberam o sacramento que é o ápice da vida cristã.
1 ano do jornal Voz da Quadra
O jornal comunitário Voz da Quadra, no dia 29 de setembro, comemorou seu primeiro aniversário na biblioteca Maria Lopes de Freitas, anexo do Projeto Oboé cidadania, com a exposição de fotojornalismo “A quadra por trás das lentes”. A exposição, que continha fotos do cotidiano da comunidade, durou até o dia 29 de outubro.
VOCÊ SABE O QUE É RELIGIÃO?
por: João Paulo Anastácio
A palavra religião originou-se de "re-ligação". Toda religião é uma tentativa do ser humano de ligar-se, de alguma forma com o ser criador, para encontrar nele as respostas às grandes perguntas: por que da vida? por que da morte? por que do mal?
Existem várias religiões como: o cristianismo, budismo, islamismo, e etc. Na nossa comunidade não é muito diferente, há vários moradores que participam de religiões diferentes.
O objetivo do jornal VdQ não é comparar, e sim informar, então fomos à rua da comunidade e entrevistamos algumas religiões.
Serly: católicaA religião católica é uma seita criada pelo próprio Cristo. A nossa verdade se fundamenta na palavra de Deus desde a criação do mundo até o final do tempo e na vida de Jesus e na sua missão na terra, missão essa que nós temos que seguir de acordo com a palavra de Deus. Além da bíblia, nós nos fundamentamos com um livro chamado Catecismo da Igreja Católica, que tem todos os ensinamento da nossa religião, todos os sábados estudamos o livro. Alguns moradores do conjunto estão passando este estudo através dos grupos de reflexões que se reúnem todas as quartas nas ruas do conjunto. Temos também as missas dominicais pela manhã, tarde e noite, a catequese que trabalha com criança de 3 anos até a primeira eucaristia. Depois que ela faz a primeira eucaristia, temos o grupo de adolescentes Pérola Preciosa de Maria e o grupo de Jovens Marial Unijocc.
Para realizar esse trabalho, contamos com total apoio do nosso pároco, P. Neto, e as filhas de caridade do convento.
Pricila: evangélicaNós, evangélicos, damos ênfase à palavra de Deus, procurando ler e praticar as verdades bíblicas. Procuramos pronunciar a palavra para aqueles que estão perdidos nas drogas e na prostituição, mostrando que Jesus veio proporcionar um mundo melhor, onde Deus em Cristo é o centro da comunhão.
Pregamos a verdade acreditando apenas em Jesus que é a única ponte que nos liga a Deus.
Nos reunimos na Igreja do Evangelho Quadrangular, que fica na Senador Virgílio Távora. Nas quartas, Culto da Família: "ensina a criança no caminho em que deve andar e quando for crescido não se destruirá”. Às sextas, o Culto de Libertação: "E se o filho do homem nos liberta, verdadeiramente sereis livre". Domingo, louvor: “alegrei-me quando me disseram: volta à casa do senhor".
A casa das sete mulheres : Família Lima da Silva
por: Ana Raquel Souza

Numa casa não muito confortável situada na rua Monsenhor Antônio Souto, residem as 7 mulheres, ou melhor, a família Lima da Silva, que é composta só por mulheres.
Uma das dificuldades da família que tem como chefe Virgínia, é que ninguém trabalha mais, com um jeito daqui outro dali, vão levando a vida como podem.
“Tem que seguir o caminho bom”, é o que sempre diz D. Virgínia para suas filhas, procurando educar sempre da melhor maneira possível suas filhas Geane, 14, Girlen, 13, Gerlane, 11, Gabriela, 4 e as gêmeas Gisely e Grasiely, de 1 ano e 1 mês, que já seguem os exemplos das mais velhas.
A família Lima da Silva não é tão grande quanto a família Silva Santos (apresentada na edição anterior), mas tem muita alegria e um carisma que é característica da família.

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