9/16/2006

Edição Nº 11 - julho de 2006 - História da Comunidade - Os 50 anos da Quadra

"Editorial"
Até quando vai ser assim?

Caro leitor e morador do conjunto São Vicente de Paulo, neste editorial comentaremos sobre uma situação que há muito tempo acontece e envolve a comunidade. Agora mais do que nunca esta situação esta incomodando a todos. Muitos sabem que Normando (ex-líder comunitário) e Piçarra (atual líder) não se entendem muito bem desde a primeira vez que disputaram a presidência da associação dos moradores. Com toda essa divisão da Quermesse (veja pág. 8), os dois deixaram mais claro essa desunião, que não deve acontecer. Tudo bem que ambos tem seus motivos, mas agora é hora de acordar e ver que os dois devem ser exemplos para comunidade. Afinal, o líder comunitário deve servir de exemplo para muitos.
OS REDATORES





Um ano de líderança e muitas dúvidas...
Por: Alan da Silva e Ranniery Melo

"Essa eleição foi ganha pelo povo, e a gente vai tentar de qualquer maneira, com a ajuda do povo da comunidade, sozinho não conseguirei nada..." Essas foram as primeiras palavras do atual líder comunitário da Associação dos Moradores, Normando Rodrigues, logo após sua vitória nas eleições do dia 26 de junho de 2005, com mais de 51% dos votos. Agora, depois de um ano na presidência (metade do mandato), o jornal VOZ DA QUADRA foi as ruas da comunidade para descobrir o que as pessoas tem a perguntar a Normando, que respondeu a todas as perguntas coletadas. Eis as principais dúvidas:

D. Maria Amâncio: "Nas atuações anteriores como líder, você fazia muito pela comunidade. Por quê não faz mais?
Normando: " Eu não sei realmente o que as pessoas acham o que é ser ativo. Acho que ser ativo é estar com o nosso colégio e a rádio funcionando. O calçamento começou, estamos vistoriando, terminou. Nós estamos na luta do dia-a-dia, procurando a cobertura da quadra. Então, não estamos parados, o problema é que as pessoas estão confundindo a líderança com a vida pessoal do líder comunitário."

Sandney Melo: "A comunidade está cheia de jovens que se drogam pelos becos. Quais projetos culturais você tem para a juventude?
Normando: "Existem vários projetos de cunho social aqui, cursos e mais cursos para jovens na área cultural. Agora se os jovens só pensam em festa no salão e se acham que isso é cultura, infelizmente pra mim, apesar de ser jovem, eu acho que não seja cultura, a não ser que a gente tivesse uma estrutura pra fazer só para os comunitários."

Edileuza( neném): " Cadê o projeto da reforma do salão?"
Normando: " O projeto ainda está na prefeitura. O que podemos fazer é cutucar e ir lá para ver se sai. Isso não depende de liderança comunitária."

Fábio Som: " Você vai melhorar a programação da rádio?"
Normando: " A administração da rádio está sobre seu Francisco Gerardo da Silva ( Chico Cambista). A programação está aberta a qualquer morador que queira fazer um programa educativo. Não posso sair de porta em porta procurando pessoas para fazer programa na rádio. Quem estiver interessado procure a administração."

Voz da Quadra: " O que pretende fazer para mudar a situação da comunidade?"
Normando: " Se o pessoal for olhar, a Quadra está muito perto de ser um conjunto modelo. Só precisa que os moradores sejam mais limpos, amigos, compreensíveis, que os jovens deixem de usar drogas dentro do conjunto. E isso não vai ser eu e nem a polícia militar que vai acabar com isso. Aí sim, as coisas vão mudar."

História da comunidade

A nossa comunidade nesse ano está completando 50 anos de existência, desde que os primeiros moradores formaram o conjunto, na época, uma favela.

Pensando nisso, o “Voz da Quadra”, buscando colaborar com o conhecimento dos moradores sobre o lugar onde vivem, promoveu uma pesquisa com o objetivo de resgatar a história da nossa comunidade. O resultado do nosso trabalho você lê agora.

Por volta de 1956, um primeiro grupo de pessoas fixou residência nas proximidades do colégio Santa Cecília, mas os moradores mais antigos que ainda estão aqui, chegaram quase no fim dos anos 1960.

“Quando chegamos aqui, em 1975, as casas eram todas de papelão, em sua grande maioria, e quando chovia, a gente se acordava pra cobrir os meninos. Havia muita lama, muita pobreza, não havia nada”, disse D. Rita Ilza.

Por volta dos anos 80, a irmã servente das filhas da caridade, irmã Inês de Barros Lima, trouxe as primeiras noviças para trabalharem na comunidade. Isso ocorreu na mesma época da criação da igreja São Vicente de Paulo, quando o pároco da igreja começou a visitar a comunidade.

“Começamos a receber a visita de Monsenhor Antônio Souto, que começou a conhecer de perto as necessidades de cada morador e resolveu formar a associação dos moradores”, afirmou D. Valda. As primeiras atitudes do padre foram conseguir um poço profundo, já que não havia distribuição de água na comunidade, e conseguir três cursos: pedreiro, bombeiro hidráulico e eletricista, para construir um lugar onde pudessem acontecer as reuniões da associação.

Então, irmã Inês, Monsenhor Souto e um morador chamado Rafael, escreveram para a primeira-dama da época, D. Luiza Távora, que se sentiu mobilizada e prometeu sanear toda a comunidade.

No início das obras, os moradores foram transferidos para cem alojamentos que situados na Rua Beni de Carvalho. Os apartamentos eram tipo duplex e eram muito apertados para abrigar as famílias, que costumavam ser grandes, o que causou grande desconforto durante as obras, mas em menos de três anos os moradores receberam suas casas.

“Vocês estão morando num canto onde um palmo de terra vale um pote de ouro”, foram as palavras ditas por D. Luíza Távora, quando entregava as chaves das casas aos moradores do, agora, conjunto São Vicente de Paulo.

Depois, só vieram melhorias. Fixou-se na comunidade o posto de saúde Miriam Porto Mota, a criação da pré-escola São Pedro, hoje escolinha ABC, (veja matéria nessa edição), vários projetos sociais, como o Ação Voluntária, Oboé cidadania, CUFA, etc.

A comunidade hoje abriga mais de 3000 pessoas e mais de 600 famílias ocupam 444 casas, e esses números não param de crescer. A história da comunidade não pára. A cada dia uma nova página dessa história é escrita por nós, moradores, que não podemos deixar nunca que as páginas desse grande livro se fechem.

O Poço
Segundo Rita de Melo, moradora da comunidade desde 1970, o poço era além da fonte de água o lugar onde ocorriam eventos como missas e a coroação de Nossa Senhora. O poço foi tampado pela PROAFA logo no início das reformas.

O lobisomem
No começo dos anos de 1980, havia um homem chamado Bráulio, que os moradores diziam que virava lobisomem nas noites de quinta para sexta-feira. Diziam que ouviam os uivos à noite e que ele amanhecia com os braços arranhados. Certa vez, alguns moradores presenciaram o lobisomem, que saiu correndo e nunca mais foi visto na comunidade. Algumas pessoas dizem que o viram a algum tempo em uma matéria do programa Barra Pesada, mendigando nas ruas de Juazeiro do Norte.

Quadra ou Quadras?
Há uma dúvida em relação ao nome pelo qual nossa comunidade é conhecida: alguns chamam Quadra, enquanto outros chamam Quadras. Por um lado é Quadra por fazer referência ao quarteirão ao lado do colégio Santa Cecília, sendo então conhecida como Quadra Santa Cecília. Outra versão diz que é Quadras porque, antes de haver ruas, a comunidade era dividida por quadras e conhecida como Favela das Quadras. Assim, para evitar dúvidas, chamaremos de Comunidade São Vicente de Paulo, que é seu verdadeiro nome.

ESCOLINHA ABC INFATIL
Por:Alexandrina Fernandes e Danilo Pereira

A Escolinha ABC infantil existe na comunidade São Vicente de Paulo há 6 anos. Foi criada em 1998 por Normando Rodrigues (atual líder comunitário) na sua primeira gestão. Ela prepara os alunos para que futuramente tenham maturidade, indo para a escola com uma base do que irá aprender. Uma opção de educação, totalmente gratuita, para crianças que morem ou não na comunidade e que tenham idade entre 2 a 6 anos. Mas nem sempre todos tinham fácil acesso, de 1998 até 2004, cobrava-se uma taxa, para o pagamento das professoras. A taxa foi abolida desde 2005, depois de ter conseguido o apoio de uma unidade civil que paga os quatro funcionários que a escolinha possui (2 professoras, 1 auxiliar e 1 faxineira). Recebendo também a ajuda da Ação Social e da Casa Provincial para o lanche dos alunos que todos os dias tomam sopa. Durante as férias, a escolinha passara por uma reforma com pintura e provavelmente será colocado piso na área externa, que se encontra impossibilitada de ser utilizada.Atendendo atualmente a 40 crianças (80% da comunidade e 20% de fora), Funciona de segunda à sexta, de 7h às 10h.

Projetos

Centro Comunitário: Novidades Oficinas de Relações interpessoais: dias12, 13, 14 de julho. 25 vagas. Para mães da comunidade e mães do projeto “Criança fora da rua e dentro da escola.” Está em planejamento um passeio para as mães do projeto “Criança fora da rua e dentro a escola”, dia 21 de julho, na Lagoa do lazer (Taitinga) Atividades: Ballet: 16h às 17hs, todos os dias. Futebol: todos os dias, de terça à sexta-feira Capoeira: terças e quintas pela manhã (inscrições abertas) Curso de pintura para Mulheres Empreendedoras pela manhã Maiores informações: falar com Dr. Tânia.

Ação Voluntária: Proposta de uma programação de férias para o mês de julho: para crianças de 7 à 14 anos, com o objetivo de ocupar o período de férias das crianças e adolescentes das comunidades Quadra e Trilho, com atividades educativas e de socialização. Maiores informações: falar com D. Nair (pela manhã). Aulas de Flauta em andamento, segundas e quartas à tarde. Curso de francês em andamento, segundas e quartas à tarde.

Oboé: · Curso de Orientação Profissional ministrado por Psicóloga · Aberta inscrições: Anexo Centro Cultural Oboé no Conjunto São Vicente de Paulo · Gratuito para comunidade e entrega de certificado e laudo

Cadê o Hexa 2006?
Por: Catarina Érika, Alexandrina Fernandes e Ana Raquel



Desde o início da copa, os moradores se mostraram dispostos a preparar a comunidade e comemorar os jogos do Brasil. Com ruas enfeitadas, casas e ruas com desenhos da nossa bandeira brasileira e, acima de tudo de tudo, a perseverança de muitos.

É...com tudo isso, a seleção deixou a desejar. Alguns moradores indignados com a derrota e fim do sonho do Hexa, arrancaram os enfeites das ruas e queimaram, fazendo uma grande fogueira.

Será que só somos patriotas em época de copa? E é só a seleção perder para mostrar atitudes de que verdadeiramente não parecemos ser patriotas como devemos ser. Devemos ser brasileiros mais do que nunca, e ter orgulho disso acima de qualquer disputa de futebol!

Quermesse em dose dupla: Bom ou ruim?
Por: Catarina Érika



Este ano, o mês junino da comunidade foi mais quente do que como de costume, com a quermesse tradicional, ou melhor dizendo: as quermesses!!! As duas quermesses realizadas por Normando e Piçarra.

Tudo começou quando Piçarra (ex-líder comunitário) tomou a iniciativa de fazer uma quermesse na rua General Tertuliano Potiguara, no dia 10 de junho, sem consultar a ETTUSA e o próprio líder comunitário.Após seis dias, o atual líder comunitário, Normando Rodrigues, iniciou a quermesse da Associação dos Moradores, no prédio da associação.

As duas quermesses no mesmo dia, na mesma comunidade, ligadas a energia do prédio da associação, causaram uma queda de energia. Até que Piçarra resolveu ligar a iluminação em um dos postes da comunidade.

No ultimo final de semana do mês, as duas quermesses foram na mesma rua, causando poluição sonora e o desentendimento entre ambas as partes (Normando e Piçarra).

Nesse desentendimento todo, a diversão da comunidade esteve ativa do começo ao fim, unindo comunidades, que participaram das duas quermesses.

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